A exposição "Paisagem/Passagem" parte de uma frase do filósofo francês Michel de Montaigne, autor do clássico "Ensaios". "Não pinto o ser, pinto-lhe a passagem". Montaigne, aqui, não se referia ao ato de pintar em si, mas - metaforicamente - ao ato de "pintar", "escrever", "construir" nossa vida não só a partir dos fatos concretos e cotidianos, mas também do imaginário e - principalmente - em relação ao tempo. A passagem do tempo.

A mostra reúne obras bidimensionais e tridimensionais em diversas linguagens, desde a década de 1970 até os dias atuais. De artistas, alguns deles esquecidos do público e da crítica, que nestes últimos 50 anos tiveram participações em importantes eventos de arte no país como a Bienal de São Paulo, o Panorama de Arte Brasileira e a Bienal Naif do Brasil. "Paisagem/Passagem" também homenageia os 50 anos da Fundação Mokiti Okada, criada em 1971, com sede na capital paulista. A exposição tem como objetivo - além da homenagem pelo cinquentenário da fundação - tornar público seu rico acervo oriundo de um dos mais importantes salões de arte no país na década de 1980, o Salão Brasileiro de Arte.

São mais de 20 trabalhos de 15 artistas; dez deles fazem parte do acervo composto por cerca de 400 obras da Fundação Mokiti Okada, e cinco são convidados. Do acervo, nomes como Alex Fleming, Akinori Nakatani, Daniel Firmino da Silva, Daniel Senise, Ivoneth Gomes Miessa, Kazuo Wakabayashi, Lothar Charoux, Megumi Yuasa, Newton Mesquita e Rosina Becker do Valle. E os artistas convidados Laura Villarosa, Moisés Patrício, Renato Leal, Ruben Pella e Thereza Salazar. A ideia é estabelecer diálogos atemporais entre os trabalhos dos artistas. A curadoria propõe contrastes e complementações, estabelecer novas relações entre as obras, sejam elas mais "convencionais" ou "ousadas", sempre pensando também no contexto histórico no qual foram criadas.

Realizar um recorte curatorial a partir de quatro centenas de trabalhos reunidos ao longo destas últimas cinco décadas não é uma tarefa fácil. É, de certa forma, ter um cuidado especial no que se quer mostrar. Mas, afinal de contas, essa é a função de uma curadoria, que opera em um conjunto de ações que vai do refino, da seleção e organização, até a explicação, simplificação e categorização. Há tanta coisa para ver que na maioria das vezes não sabemos para onde olhar. É quando menos é mais. Em uma curadoria a questão não é o ter mais, mas ter o melhor. Não é à toa que a palavra tem sua origem no latim e significa cuidar.

Em um tempo pandêmico, na qual o mundo todo é assolado por um vírus que tem dizimado milhões de pessoas, no qual o distanciamento social, a solidão, o medo e a morte pairam sobre a humanidade, um dos principais ensinamentos do mestre Mokiti Okada se faz necessário ecoar nos dias atuais. Porque "as palavras e atitudes do homem devem ser belas. Da expansão do Belo individual nascerá o Belo social, isto é, as relações pessoais se tornarão belas". A exposição faz um ponte entre passado e futuro, trazendo à tona obras de arte de grandes nomes da arte brasileira em diálogo com a produção de artistas ainda em trajetória crescente nas suas respectivas carreiras, com trabalhos que uma nova geração realiza no hic et nunc, no aqui e agora, trazendo o belo à tona. Ademais, nestes tempos obnubilados - humanitariamente, socialmente, politicamente e artisticamente falando - precisamos, parafraseando Okada, ver os diamantes entre os cascalhos.

Jurandy Valença, maio de 2021

 

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INFORMAÇÕES

Período: de 29 de junho de 2021 a 30 de setembro de 2021
Visita presencial: 2ª, 4ª e 6ª feira, das 10 às 16 horas (fechado no finais de semana e feriados).
Agendamento: Clique aqui, pelo e-mail: culturaearte3@fmo.org.br ou telefone: 5087.5056 / 5086
Endereço: Rua Morgado de Matheus,77, Vila Mariana, São Paulo (SP). Próximo ao metrô Ana Rosa.

Entrada: Gratuita
Exposição organizada pelo setor Cultura e Arte, da Fundação Mokiti Okada, e segue todos os protocolos de saúde e segurança.

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